28.5.08

Feira-livre

"Feira, eu odeio feira!"Ouço isso com freqüência sempre que digo a alguém que vou à feira nas manhãs de domingo. Além de os produtos serem melhores e mais baratos do que no supermercado, tem todo aquele clima de mercado popular. Nada de plaquinhas do tipo "não belisque as uvas". Ao invés disso, o próprio feirante te dá uvas, morangos, melancia, manga, maça e pêra para experimentar. Eu penso: "se não compramos roupas sem experimentar, porque compraríamos os alimentos?"

Mas a feira vai além. Tem a barraca de temperos (sempre colorida), a de pastel (sempre lotada), a de flores, a que vende frutas exóticas como mangostin e graviola, etc. Ok. Graviola não é tão exótica assim, mas como eu não a conhecia "pessoalmente" posso dizer que a feira me revelou alguma coisa diferente.

A feira ainda nos permite encontrar vizinhos, conhecer novas pessoas e novos sabores. Sem contar aquele papo descontraído com o feirante, que te conta que vai ao Morumbi na próxima quarta acabar com o Botafogo, ou que está acordado desde as 2h da manhã e não vê a hora de almoçar, ou ainda que hoje é aniversário dele e por isso ele merece um presente (no caso, você comprar a fruta mais cara da banca), e que sempre coloca um mamão, uma pêra ou uma maçã a mais no saquinho.

6.5.08

Despensa

A casa grande tinha cômodos de sobra, incluindo o quartinho do pai, o escritorinho (até hoje não sei porque chamava o lugar de estudar de escritorinho), o quarto de hóspedes, o quarto da frente, o meu quarto, o quarto da mãe, o outro quartinho do pai, o quartinho da máquina de lavar e o quartinho do tanque. Ufa! É espaço pra caramba. E não é que todos esses espaços ficavam ocupados? Não tinha nenhum vazio, nenhum lugar sequer ocioso, sem nada, limpo. Em todos eles tinha alguma coisa. Esses quartos e quartinhos todo faziam com que a bagunça ficasse escondida. A mala enorme que você usa só de vez em quando; as sacolas de papel que a gente guarda para um dia carregar o guarda-chuva, o lanche da tarde ou qualquer outra coisa; as coisas velhas que você quase não usa mas não quer jogar fora; as revistas e jornais velhos; o colchão para visitas; a tábua de passar roupa; a escada... Agora, que não tenho quartinhos, tudo precisa ficar arrumado (claro que, às vezes, em lugares improvisados). O que posso dizer é que na bagunça dos quartinhos é mais fácil encontrar qualquer coisa do que na organização do meu quarto.